Hormônios e imunoterapia: desafios e oportunidades no tratamento do câncer

imunoterapia no tratamento do câncer é um dos maiores avanços da oncologia nos últimos anos. Esse tipo de tratamento estimula o próprio sistema imunológico a combater as células tumorais e tem mudado a história de doenças antes consideradas de difícil controle.

No entanto, junto com os benefícios, surgem novos desafios clínicos: muitas dessas terapias podem afetar o equilíbrio hormonal do organismo, causando disfunções que exigem acompanhamento especializado.

Neste artigo, você vai entender como a imunoterapia pode impactar os hormônios, quais são os efeitos mais comuns e por que o papel da endocrinologia oncológica é fundamental nesse cenário.

  1. Como a imunoterapia pode afetar os hormônios?

As imunoterapias mais utilizadas atualmente, como os inibidores de checkpoint imunológico e as terapias celulares (como CAR T-cells), têm mecanismos que ativam intensamente o sistema imune.

Esse processo pode levar a uma inflamação em diferentes órgãos do corpo, incluindo as glândulas endócrinas. Como resultado, o paciente pode desenvolver:

  • Hipotireoidismo ou hipertireoidismo (inflamação da tireoide);

  • Insuficiência adrenal (baixa produção de cortisol pelas suprarrenais);

  • Hipofisite (inflamação da hipófise, glândula que controla outros hormônios);

  • Alterações no metabolismo de cálcio e vitamina D, com impacto na saúde óssea;

  • Alterações no sistema reprodutivo e fertilidade.

 

  1. Efeitos colaterais hormonais mais comuns na imunoterapia

Estudos apresentados nos últimos congressos internacionais, como a ASCO 2025, mostraram que até 20% dos pacientes em imunoterapia desenvolvem algum tipo de disfunção endócrina.

Entre os efeitos mais frequentes estão:

  • Disfunções da tireoide, que podem causar sintomas como fadiga, variação de peso, queda de cabelo e alterações de humor;

  • Baixos níveis de cortisol, que geram cansaço extremo, pressão baixa e risco de crises adrenalinas graves se não tratados;

  • Infertilidade temporária ou permanente, dependendo do tipo e da intensidade da terapia.

 

  1. Oportunidades no cuidado integrado

Embora essas alterações possam preocupar, a boa notícia é que a maioria delas pode ser diagnosticada precocemente e tratada de forma eficaz com acompanhamento endocrinológico.

A integração entre oncologia e endocrinologia permite:

  • Monitorar os hormônios desde o início do tratamento;

  • Identificar precocemente alterações subclínicas (antes dos sintomas);

  • Iniciar reposição hormonal quando necessário;

  • Oferecer qualidade de vida e segurança ao paciente em todas as fases do tratamento oncológico.

  1. O papel da endocrinologia oncológica

endocrinologia oncológica tem se tornado cada vez mais essencial no manejo dos pacientes que recebem imunoterapia. O especialista atua em conjunto com o oncologista para garantir que, além de combater o câncer, o paciente mantenha seu equilíbrio metabólico e hormonal.

Esse acompanhamento ajuda a:

  • Reduzir complicações ligadas ao tratamento;

  • Melhorar a adesão do paciente à imunoterapia;

  • Aumentar a qualidade de vida durante e após o tratamento do câncer.

imunoterapia contra o câncer representa uma revolução na medicina moderna, oferecendo novas chances de tratamento e maior sobrevida para muitos pacientes. Porém, seus efeitos colaterais hormonais exigem atenção especial.

Com o apoio da endocrinologia oncológica é possível monitorar, diagnosticar e tratar essas alterações de forma segura, garantindo que o paciente receba um cuidado completo, eficaz e humanizado.